Feliz Ano Novo! Feliz 2012!

Obrigada, 2011, por todas as experiências, pessoas e emoções. Obrigada por todos os acontecimentos, bons e ruins, pois me tornaram menos ignorante frente ao que eu pouco conhecia, mais forte frente ao que virá e também mais crente na boniteza da vida. A beleza vem do conhecimento e a felicidade das emoções do caminho que trilhamos na vida. Um beijo, 2011. Divido meus últimos sonhos do ano contigo e amanhã limparei a casa para o ano novo que vai chegar. Daqui a menos de 24 horas você será uma linda lembrança e 2012 um esperado presente. Obrigada pelo ano, pessoal e feliz Ano Novo a todas e todos!

Kwanza

Depois de anos me sentindo uma sem lugar, estranhando o clima dessa época de ano, com Papai Noel de bochechas rosadas, bota e casaco (eu moro em um país em que no mês de dezembro a gente anda quase sem nada por causa do calor),esperando só pela rabanada e ficando até chateada  tendo que viver aquilo com o que não me identifico, finamente encontrei a celebração com que me sinto acolhida. Por indicação de uma amigo meu, o Alexandre Assumpção, conheci o Kwanza, a celebração de final de ano afro-americana. Vasculhei na internet e encontrei essa explicação no blog da UNEGRO, que eu amei. Já sem me alongar, desejo a todos:

FELIZ KWANZA

 

E’ interessante observar as varias manifestacoes culturais criadas pelos Afro-Americanos para se manterem tao proximos quanto possivel das suas origens ancestrais. Na verdade, em varias areas da sua vida, eles criaram mesmo uma especie de ‘micro-cultura’ de inspiracao Africana, embora nem sempre com uma clara ou directa correspondencia nas praticas culturais observaveis no continente – o que se devera’, por um lado, aos sincretismos culturais e religiosos de varia ordem e diferentes origens que os conformam e, por outro lado, as varias (per)mutacoes e con(sub)jugacoes culturais verificadas em Africa ao longo dos seculos.
E’ o caso do Kwanzaa (tambem escrito Kwaanza) que se celebra por esta altura do ano, durante sete dias – de 26 de Dezembro a 1 de Janeiro – coincidindo com o periodo do Natal Cristao (e tambem do Judaico Hanukkah) e Ano Novo. A sua criacao poderia ter sido inspirada no nosso rio Kwanza (Angola), mas reza a historia que nao o foi exactamente. Kwaanza deriva da expressao Kiswahili “matunda ya kwanza”, que significa “primeiros frutos”, ou “comeco” – apelando assim ao acto da criacao, tal como acontece no Natal Cristao. Porem, sendo o Kiswahili uma lingua Bantu, e’ provavel que o nosso Kwanza tenha nela o mesmo significado… mas deixo isso aos especialistas.

A criacao do Kwanzaa, em meados da decada de sessenta do seculo passado, ficou a dever-se ao activista social Afro-Americano Ron Karenga, que explicou o seu objectivo como sendo “proporcionar aos Negros (Blacks, para ser fiel ao original e ao contexto …) uma alternativa as festividades existentes e dar-lhes uma oportunidade de se celebrarem a si proprios e a sua historia, em vez de simplesmente imitarem a pratica da sociedade dominante.”

Durante os sete dias do Kwanzaa praticam-se varios rituais, envolvendo libacoes, acender de velas, banquetes e oferta de presentes. Poder-se-ia entao dizer que nesse aspecto nao difere muito do Natal Cristao ou do Hanukkah. Mas e’ o significado, em Kiswahili, de cada um dos sete dias do Kwanzaa que estabelece a diferenciacao:

• Umoja (Unidade) Obter e manter a unidade na familia, comunidade, nacao e raca.
• Kujichagulia (Auto-Determinacao) Definir-nos a nos proprios, nomear-nos a nos proprios, criar por nos proprios e falar por nos proprios.
• Ujima (Trabalho e Responsabilidade Colectiva) Construir e manter a comunidade coesa e fazer nossos os problemas dos nossos irmaos e irmas e resolve-los em conjunto.
• Ujamaa (Economia Cooperativa) Construir e manter as nossas proprias propriedades, lojas e negocios e partilhar em conjunto dos seus lucros.
• Nia (Proposito) Fazer nossa vocacao colectiva a construcao e o desenvolvimento da nossa comunidade com o objectivo de restaurar a grandeza tradicional do nosso povo.
• Kuumba (Criatividade) Fazer sempre tudo o que pudermos, como pudermos, por forma a deixarmos a nossa comunidade mais bela e benefica do que como a herdamos.
koluki.blogspot.com/2008/12/kwanzaa-o-natal-africano.html

Fonte: http://unegroriodejaneiro.blogspot.com/2011/12/o-natal-africano.html

Preta

 

 Cada dia mais preta

  Até ficar da cor da noite

  Daí, meus olhos serão as estrelas

Por Débora Almeida

Griotagem

Ontem estive no Griotagem, na UERJ. Um encontro de pretas e pretos em torno da poesia e da cultura afrodescendente. Simplesmente lindo. Lindo encontrar todas aquelas pessoas, irmãs e irmãos de cor, de história e resistência. Cada palavra dita, cantada, todas ainda pulsando dentro de mim. Tudo isso em uma atmosfera acolhedora, sem ser piegas (porque isso não faz parte da gente), porém forte e cheia de emoção.

Apresentação do Balle Afro Koteban, de São Paulo

Só o convite já é lindo:

“O ABRAÇO DA COMUNIDADE A comunidade é o espírito, a luz-guia da tribo; é onde as pessoas se reúnem para realizar um objetivo específico, para ajudar os outros a realizarem seu propósito e para cuidar umas das outras. O objetivo da comunidade é assegurar que cada membro seja ouvido e consiga contribuir com os dons que …trouxe ao mundo, da forma apropriada. Sem essa doação, a comunidade morre. E s…em a comunidade, o indivíduo fica sem um espaço para contribuir. A comunidade é uma base na qual as pessoas vão compartilhar seus dons e recebem as dádivas dos outros. Quando você não tem uma comunidade, não é ouvido; não tem um lugar em que possa ir e sentir que realmente pertence a ele; não tem pessoas para afirmar quem você é e ajudá-lo a expressar seus dons. Essa carência enfraquece a psique, tornando a pessoa vulnerável ao consumismo e a todas as coisas que o acompanham. Além disso, a falta de comunidade deixa muitas pessoas com maravilhosas contribuições a fazer sem ter onde desaguar seus dons, sem saber onde pô-los. Quando não descarregamos nossos dons, vivenciamos um bloqueio interior que nos afeta espiritual, mental e fisicamente, de muitas formas diferentes. Ficamos sem ter um lugar para ir, quando temos necessidade de ser vistos… ” Sobonfu Somé
.
.
.
Fiquei muito feliz em ter ido, que bom que Tempo deixou.
Meu ano termina bem e estou pronta para o novo ciclo.

Essa eu escrevi para um amigo meu: 

Se o trabalho atrapalha, chute o trabalho e vá viver de amor e poesia.

Débora Almeida

Encontro e reencontro

Inspirada pelo primeiro dia do V Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe e pela emoção por ter encontrado os cineastas senegaleses, pois me remete diretamente ao meu querido país Senegal, reedito aqui no blog as palavras que escrevi sobre o país:

No Senegal Me Sinto Entre Os Meus.
A Diáspora Invertida Rumo Aos Meus Irmão De Cor.
Me Vejo Nas Ruas, Nas Páginas De Revista, Nos Cartazes E Na Arte.
No Comercial De Café O Negro Não Aparece Amassando Os Grãos Como Escravo.
No Comercial De Café, O Negro Aparece Saboreando O Café.
Na TV Ele Não É O Servo, Ele É O Dono Da Casa.
No Senegal O Negro Faz Parte.
Aqui O Negro Está Em Toda A Parte E Não Somente Na Periferia.

O Mar Da África É Natureza E Memória.
O Mar Da África É A Saudade Dos Meus Antepassados Retornando Da América

Para acessar o que Débora Almeida escreve acesse: amocadosegundoandar.wordpress.com ou borboletaavoada.blogspot.com

.

V Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe

Iniciou nessa quinta-feira, dia 24 de novembro, o V Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe promovido pelo Centro Afro Carioca de Cinema, do nosso queridíssimo Zózimo Bulbul. Serão exibidos filmes de cineastas negros de diversas partes do mundo. O evento vai até o dia 01 de dezembro e ocupará as salas do Cinema Odeon, Centro Cultural da Justiça Federa, e Oi Futuro.

         Nesse ano o festival presta duas homenagens: uma é ao FESPACO- Festival Pan- Africano de Cinema- Ougadougou, de Burkina Faso a outra é ao grande ator africano Sotigui Kouyate, morto em 2010.

Zózimo Bulbul

Zózimo Bulbul, idealizador do encontro, é um importante cineasta negro brasileiro, tem promovido intercâmbios importantíssimos entre os cineastas negros brasileiros e cineastas africanos.  Segundo Zózimo, “A inportância desses Encontros se dá entre outras coisas para dar visibilidade aos cineastas negros e negras do Brasil e aos seus filmes.”

A programação pode ser conferida no site: http://www.encontrodecinemanegro.com.br/

20 de Novembro- Dia da Consciência Negra

Zumbi

 Dia 20 de novembro: vamos empretecer o Leblon, as universidades, o parlamento, as prateleiras das livrarias, os meios de comunicação, as ruas de toda a cidade, a história oficial do Brasil. Vamos sair dos espaços que a sociedade racista quer que nós fiquemos e vamos nós, negros brasileiros, escolhermos que espaços queremos ocupar. Temos um navio negreiro lotado de contas para acertar.

Sem essa de que somos pobres coitados que necessitam da generosidade de um senhor branco marido da sinhá para nos libertar, contar nossa história ou nos servir de porta-voz, contamos nós mesmos, de dentro da nossa pele a beleza e a força de sermos negros, um povo que sobreviveu a toda a crueldade da escravidão e permaneceu criando, lutando, resistindo.

Nosso 20 de novembro, data de morte de um herói que lutou e conseguiu a libertação de um povo, não é reconhecida porque a elite racista de nosso país não quer reconhecer a sua dívida com o povo negro, não quer se desfazer de seus privilégios para realizar a divisão de tudo aquilo a que temos direito. Mesmo assim, permaneceremos lutando e dançando, como fazem nossos orixás ao tomarem os nossos corpos.

Lélia Gonzalez

Um negro não se faz guerreiro, mas já assim nasce, pois luta contra tudo e todos para chegar à luz do mundo que o espera, por isso não temos medo e quanto maior a resposta racista maior será nosso empenho de continuar.

Temos em nossa memória ativa Zumbi, Abdias do Nascimento, Lélia Gonzales, Dandara, Ganga Zumba e todos os negros escravizados que lutaram pela liberdade dos negros da diáspora e da África.


Abdias do Nascimento

OLHANDO NO ESPELHO
(Para meus netos Samora, Alan e Henrique Alberto)

Ao espelho te vejo negrinho
te reconheço garoto negro
vivemos a mesma infância
a melancolia partilhada do teu profundo olhar
era a senha e a contra-senha
identificando nosso destino
confraria dos humilhados
a povoar de terna lembrança
esta minha evocação de Franca

Éramos um só olhar
nos papagaios empinados
ao sopro fresco do entardecer

Negrinho garota negra
vivemos a mesma infância
nos cafezais brincamos
nas jaboticabeiras trepamos
chupamos a mesma manga e melancia

Éramos uma única ansiedade
à subida multicor dos balões
pejados de nossos sonhos e ilusões
Negrinho meu irmão
como te chamavas tu?
Felisbino Sebastião Geraldo?
Serias menina: Rosa
Negra Alice Tarcila?
Ou te chamarias Aguinaldo?

Lembro nosso emprego:
lavar vidros
entregar remédios
fazer limonada purgativa
limpar as sujeiras de uma farmácia

E aquele grito em nosso ouvido:
“-Acorda preguiçoso”? era o patrão
outra vez cochilaste reclinado ao chão
Assustados teus olhos dançaram
desgovernados pelas lágrimas
saltaste inutilmente lépido

Um dedo irrevogável
te apontou a porta do desemprego
assim regressaste
à casa que já não tinhas
na noite anterior morrera
tua pobre mãe que a mantinha

Negrinha garoto negro
sei que somos uma
prosseguimos os mesmos
ao abandono de nossa orfandade

Assim juntos e sem nome
devemos continuar nosso sonho
nosso trabalho
reinventando as nossas letras
recompondo nossos nomes próprios
tecendo os laços firmes
nos quais ao riso alegre do novo dia
enforcaremos os usurpadores de nossa infância

Para a infância negra
construiremos um mundo diferente
nutrido ao axé de Exu
ao amor infinto de Oxum
à compaixão de Obatalá
à espada justiceira de Ogum

Nesse mundo não haverá
trombadinhas
pivetes
pixotes
e capitães de areia

Buffalo, 1980

Oça esse poema na voz de Abdias: http://www.abdias.com.br/poesia/3_Abdias_espelho.wav

Kizomba, A Festa Da Raça

Luiz Carlos da Vila

Valeu, Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terra, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi, valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e Maracatu
Vem, menininha
Pra dançar o Caxambu

Ô,ô, Ô,ô
Nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô,ô
Ô,ô,ô,ô
Clementina, o pagode é o partido popular
Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção

Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição

Que magia
Reza, ajeum e Orixá
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede e nossa sede
De que o aparthaid se destrua

Ouça esse samba na voz do seu compositor, Luiz Carlos da Vila: http://www.youtube.com/watch?v=ELJpqxL3SWI&feature=related

Encontro Iberoamericano do Ano dos Afrodescendentes

Começa nessa quarta-feira, dia 16 de novembro, o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes em Salvador, Bahia.

O Afro XXI acontece de 17 a 19 de novembro no Centro de Convenções da Bahia e envolverá nos debates representantes de organismos governamentais e não-governamentais, além de pesquisadores e estudiosos do tema, para a discussão de ações efetivas de combate ao racismo, à intolerância racial e à xenofobia. Trata-se de um desdobramento da Conveção de Durban, ocorrida em 2001 na cidade da África do Sul e que se tornou um marco mundial em relação à adoção de políticas de reparação e de combate ao racismo em todo o mundo ibero-americano e africano.

Antes da abertura oficial do evento, no mesmo local, representantes de entidades da sociedade civil farão uma prévia do encontro, debatendo propostas que serão encaminhadas aos chefes de Estado que se reunirão no último diado evento e que deverão aprovar o texto da Carta de Salvador, documento contendo diretrizes e compromissos dos países participantes em prol do combate ao racismo e da implantação de ações afirmativas.

Junto com o ator e diretor Hilton Cobra, estarei representando o Fórum Nacional de Performance Negra.

Para obter maiores informações acesse o site do evento: http://www.funag.gov.br/afro21/

 

Cidinha da Silva em lançamento triplo na Kitabu

O mar de Manu, terceiro livro para todas as idades, de Cidinha da Silva, é um conto pleno de poesia e imagens. São pequenas histórias de sabedoria narradas no fluxo de um dia e uma noite vividos por Manu. A gente de Minas Gerais, assim como Manu, menino oriundo de algum lugar entre o Mali, o Níger e o Burkina Faso, precisa inventar o mar. As características geográficas desses lugares levam seus moradores a produzir metáforas sem água para representar o infinito. É o que faz Manu, personagem que aprendeu a sonhar com a mãe. Cidinha da Silva, desta feita em um texto curto, prossegue no caminho da escritura em linguagem simples e direta que dialoga com as instâncias mais sensíveis do leitor. O mar de Manu é a primeira publicação da Kuanza Produções, uma editora dedicada à formação do leitor literário e à ampliação do espaço editorial para as africanidades no Brasil.Escritora: Cidinha da Silva 


Livros: Kuami, O mar de Manu e Oh, Margem! Reinventa os rios (3 em 1)
Local e Dia: Rua Joaquim Silva 17, Lapa RJ, Sexta 04/11/11, 18:30

 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.