Zózimo Bulbul

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Morreu hoje um dos maiores artistas e ativistas negros do Brasil. retornou para as estrelas nosso querido Zózimo Bulbul. Ator, cineasta, criador do Cineafrocarioca de Cinema, referencia de cinema negro no Rio de Janeiro, idealizador do Encontro de Cinema Brasil, África e Caribe, grande articulador entre o Brasil e a África.

Tive a oportunidade de conhecê-lo, conversar e trabalhar com esse homem e todos os nossos encontros foram maravilhos. Aprendi muito com Zózimo e agradeço a vida por tê-lo conhecido.

Um grande exemplo de atuação na arte e no movimento negro brasileiro.

Obrigada Zózimo.

Um pouco sobre a carreira de Zózimo.

Zózimo Bulbul
Cineasta com muitas idéias na cabeça e uma câmera na mão

Ele é um dos ícones negro dos anos 60 por suas interpretações na tevê e no cinema. Na telinha, foi o primeiro protagonista negro de uma novela brasileira, fazendo par romântico com Leila Diniz em Vidas em Conflito. Além disso, foi também o primeiro manequim negro masculino de uma grife de alta costura. Além de todo o pioneirismo que envolve seu nome, Zózimo foi um dos principais atores dos filmes produzidos no movimento do Cinema Novo. Como ator, iniciou a carreira em produções teatrais do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, passando por participações importantes em clássicos do Cinema Novo de diretores como Glauber Rocha , Cacá Diegues e Leon Hirzman. Um dos destaques na carreira cinematográfica foi em Compasso de Espera. Ele fazia par romântico com uma branca rica, interpretada pela atriz Renèe de Vielmond. O personagem era um poeta negro que convivia com problemas existenciais por causa do preconceito do qual era constante vítima. Além de ator, Zózimo já realizou trabalhos como diretor e roteirista. Seu mais famoso filme como diretor, Abolição, marcou o centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, descrevendo várias situações enfrentadas pelos afrodescedentes brasileiros até hoje.

‘ Ele foi pioneiro ao registrar no cinema a temática de seu povo
JOEL ZITO ‘

Aos 70 anos, Zózimo Bulbul é, infelizmente, mais conhecido no exterior do que dentro de seu país. Em dezembro passado, o cineasta lançou Obras Raras do Cinema Negro na Década de 70. As raridades são cinco obras com a a temática afrodescendente, abordada por diretores negros e não negros. Como ator, não se deixou levar pela vaidade, ao ser eleito, nos idos de 70, “o negro mais bonito no Brasil”. Preferiu se pautar pela coerência e pela valorização do negro na nossa sociedade. Rejeitou tanto o estereótipo da marginalidade, como o do escravo preguiçoso ou do negro bandido. Foi assim no cinema, na tevê e no teatro. Como realizador cinematográfico, não foi diferente. Já com a câmera nas mãos, começou com o emblemático e censurado Alma no Olho, seguido de Aniceto do Império e do longa Abolição. Retomou o olhar de diretor na virada do século fazendo Pequena África, Samba no Trem e República Tiradentes. Seu mais recente trabalho, o média-metragem Zona Carioca do Porto foca a importância da zona portuária na história do Rio de Janeiro, onde a cidade começou a surgir. Com a participação da Cia dos Comuns e recheado de entrevistas e projetos que estão revitalizando a área, o filme mostra a importância do negro na formação do povo carioca. A câmera sobe o Morro da Providência, focaliza imensas áreas onde o abandono é voz comum, visita os barracões das escolas de samba e evoca a ancestralidade e resistência do lugar. Com oito filmes lançados, Bulbul passa a ocupar a posição de cineasta negro que mais realizou. “Ele foi pioneiro ao registrar no cinema a temática de seu povo”, diz o cineasta Joel Zito.

(Fonte Revista Raça)

O cinema de Zózimo Bulbul

 “Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está
Senhores
Onde estão os meus tambores
Onde estão meus orixás”*
Um dos maiores expoentes da Cinematografia afro brasileira nas décadas de 60 e 70, Zózimo Bulbul fez da história do povo negro no Brasil o seu caminho através do cinema. Como ator de cinema, trabalhou em mais de 30 filmes, atuou em clássicos como Terra em transe, Compasso de Espera e Filhas do Vento. Em 1974 estreou como diretor com o curta em preto e branco “Alma no Olho”. Produtor e roteirista ele realizou até 2009, inúmeros curtas e um longa, todos com o foco na valorização da cultura negra no Brasil.

Zózimo Bulbul, ator e diretor de cinema têm sua carreira iniciada em meados dos anos 60. Sua formação é no CPC da UNE. Todos os seus filmes são importantes para a preservação e memória da cultura afro. São todos filmes que denunciam as diferenças, a solidão, a discriminação e a desigualdade que o povo negro ainda vive neste país, mas sempre com um olhar de luta e de desafio.
Centro Afro Carioca de Cinema

O Centro Afro Carioca de Cinema vem desenvolvendo há três anos um trabalho de referência para a Cinematografia Afro Brasileira. Um trabalho de conscientização, incentivo aos novos caminhos através do cinema e aumento da compreensão do mundo através da arte cinematográfica, contribuindo assim para a elevação da auto-estima.

Por dentro da história – O Início, por Zózimo Bulbul
Em resumo tudo começou quando o meu filme “Abolição” foi selecionado para um festival de cinema de diretores da diáspora Africana em Nova York no ano de 1995. Naquela ocasião eu tomei um susto por que a metade da platéia desse festival era de africanos. Nessa época eu não sabia muito bem o que era Burkina Faso nem tinha muito conhecimento sobre a África, e estes africanos que estavam no festival não sabiam que existiam no Brasil negros fazendo cinema, foi uma ótima oportunidade para trocar informações. Nos últimos dias do evento me fizeram o convite, para ir em 1997 participar do FESPACO – Festival Pan Africano de Cinema de Ouagadougou, em Burkina Faso. Eu me senti muito honrado, pois esse festival é o mais importante da África e um dos mais importantes do mundo. O Abolição tinha ganhado o festival de Brasília em 1988, também ganhou um prêmio em Cuba, e nesse festival em Cuba me chamaram para ir em Nova York.

Ganhei mais um prêmio em Nova York, mas aqui no Brasil nunca saiu uma nota de jornal sobre o filme e sobre os prêmios que eu ganhei. Voltei muito triste com essa coisa do filme ter ganhado vários prêmios em festivais e aqui no Brasil não ter acontecido nada, nem comigo e nem com o filme. Eu tinha pretensão de ser conhecido de mostrar o filme, eu queria botar a cara na rua, discutir não só a cinematografia negra brasileira, mas também a temática do filme, e ficou uma coisa muito do tipo “cala boca negão – isso não existe! – você está inventando essas coisas!” Isso começou a me dar uma frustração muito grande.Quando cheguei a Burkina Faso em 1997 foi uma surpresa muito grande, eu fui muito bem recebido, desde o aeroporto, até o hotel e durante o festival, fui respeitado, como preto brasileiro, cineasta, convidado do festival.
Foi aí que, em um espaço onde havia uma carpintaria, em plena Lapa, achei o lugar certo para criar o Centro Afro Carioca de Cinema. Uma das coisas mais gratificantes da minha vida, quando eu saía de casa e ia pra lá acompanhar as obras,com um imenso “tesão” eu ia todos os dias. Derrubávamos paredes, pintávamos, assim reformamos a casa toda. Biza e eu acompanhamos tudo, eu ainda não estava muito bem de saúde, não estava andando bem, mas o processo de criação do Centro Afro Carioca me deu motivação para eu me recuperar. Uma grande inspiração para a criação do Centro Afro Carioca de cinema, foi o nosso mestre Candeia e o Grêmio Recreativo Arte Negra Quilombo. O que essa escola de samba representava em nível de revolução e inovação em relação ao carnaval, e a questão do rompimento com o que estava estabelecido.
(Fonte tamboresfalantes.blogspot)
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