Mercedes Batista de volta ao Orum

 

Morre hoje Mercedes Batista, a primeira bailarina negra a dançar no Theatro Municipal. Referência na dança afro brasileira, para todos os artistas negros, foi mais do que uma bailarina, foi uma militante na arte pela cutlura e pela identidade do negro brasileiro, uma pioneira, que merece todas as nossas homenagens e gratidão.

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Segue um pouco de sua trajetória. (Fonte: Revista Afro/2011)

Ícone da dança no Brasil, qualquer bailarina que se preze conhece a história heróica e precursora de Mercedes Baptista, a primeira bailarina clássica negra brasileira, primeira mulher negra a passar no exigente concurso e fazer parte do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Mercedes Baptista nasceu em 1921, no município de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, em uma família humilde que vivia do trabalho de sua mãe, a costureira Maria Ignácia da Silva. Ainda jovem, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, exercendo diversas atividades profissionais.

Trabalhou em uma gráfica, em fábrica de chapéus e como não podia fugir a regra de grande parte das meninas negras de seu tempo, foi empregada doméstica. Trabalhou, também, em bilheteria de cinema; quando podia, assistia aos filmes; neste período acalentava o sonho dos palcos. Mobilizada por realizar seu sonho, começou a dedicar-se a dança.

Na década de 1960, Mercedes uniu sua formação erudita com a valorização da cultura negra, lançando o balé afro. Desbravadora, artista, foi além e junto com os carnavalescos Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, introduziu a dança clássica no desfile da escola de samba Salgueiro, do Rio de Janeiro, em 1963.As primeiras lições de ballet clássico vieram em 1945. Três anos depois, ela decidiu participar do concurso para o ingresso no Corpo de Baile do Theatro Municipal. Ao longo de sua carreira, sentiu na pele a discriminação que a afastava dos palcos. Sua formação na companhia e escola de dança Katherine Dunham certamente definiu os rumos do trabalho que desenvolveu no Brasil e que a coloca como a principal precursora da dança afro-brasileira.

Mercedes Baptista foi a coreógrafa da Comissão de Frente, que dançou o minueto, num cenário composto com a igreja da Candelária ao fundo. O Salgueiro ganhou o Carnaval, com um desfile que se tornou referência, influenciando e mudando o rumo dos desfiles das escolas de samba.

O trabalho de Mercedes Baptista foi fundamental para dar uma guinada na dança afro-brasileira. Sua entrada para o Corpo de Baile do Municipal foi cercada de mistério e preconceito, em 1948.

Segundo Mercedes, a seleção consistia em cinco etapas. No dia da última prova para mulheres, ela não foi avisada. Chorou e depois ficou sabendo que iria disputar com os homens. Como tinha facilidade para saltar, a prova não foi difícil e ela conseguiu entrar.

Em 2007, a bailarina foi homenageada pela escola de samba carioca Acadêmicos do Cubango sob o enredo “Mercedes Baptista: de passo a passo, um passo”. Sua história de luta e superação também foi tema do livro “Mercedes Baptista – A criação da identidade negra na dança”, do escritor Paulo Melgaço.

“Uma das maiores qualidades do trabalho da Mercedes foi o projeto social que ela realizou. Se não fosse pela Mercedes, muitos negros que hoje brilham nos palcos, seriam cozinheiros ou empregadas domésticos”, disse o autor na época do lançamento.

Seu legado é a valorização das culturas africanas e a introdução de elementos da dança afro a dança moderna brasileira, mas o maior deles é sem dúvida, seu exemplo de dignidade e superação.

Abaixo a sequencia do vídeo “Com os pés no chão”.

 

 

 

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