Estreia de “Enquanto viver, luto”

Nessa semana estreio mais um filme. Esse é dos bons. Trata questões relacionadas às violações dos direitos humanos com mulheres negras, mas elas não se entregam, dão a volta por cima e ressurgem de suas dores produzindo respostas incríveis. Imperdível. Dia 18 de agosto, no Cine Joia.

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Entrevista com Luciana Barreto no programa Repórter Brasil, na TV Brasil pelo dia da Mulher Negra Latino- Americana e Caribenha

Pela semana da Mulher Negra, iniciada em 25 de julho, dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, Débora Almeida foi entrevistada por Luciana Barreto no programa Repórter Brasil, da TV Brasil. Durante a semana, o programa receberá uma mulher negra que se destaque em sua área de trabalho. Foram entrevistadas também a escritora Conceição Evaristo, a atriz Ruth de Souza e a cineasta Yamin Tainá.

O programa pode ser assitido todos os dias ao meio dia ou no link: https://www.facebook.com/reporterbrasilnarede/?pnref=story.unseen-section

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Luciana Barreto e Débora Almeida no programa Repórter Brasil, da TV Brasil.

Débora Almeida em entrevista ao CULTNE NA TV

No dia 16 de julho foi exibido o programa CULTNE NA TV com Débora Almeida sendo entrevistada por Ricardo Brasil. No programa, que também está disponível on line, Débora falou sobre o seu trabalho em teatro, o processo do espetáculo Sete Ventos e mulheres negras.

Segue o link com a entrevista completa:

 

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Resenha de Sete Ventos. Melanina Acentuada

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Emocionada, a plateia do Teatro Dulcina aplaude o espetáculo de pé

Essa foi a resenha feita por Luciano Maza sobre o espetáculo Sete Ventos, apresentado no Melanina acentuada.

A contadora de mulheres

Sobre “Sete Ventos” na Mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada

 Por Lucianno Maza

 O que é a Mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada senão um espaço precioso para que todas as etnias possam ouvir as histórias das vidas e/ou das bocas negras? Sim, um ponto de encontro do pensamento e da memória para refletir sobre nossa contemporaneidade carregada de resquícios do passado e em plena transformação por um futuro de maior equidade entre os povos. Esses três tempos surgem em “Sete Ventos” que se resulta no acontecimento-agora da teatralidade.

 Chamam ‘griots’ os contadores de história na África. Em uma cultura transmitida pela oralidade, esses personagens das sociedades tribais são os responsáveis por entreter e fazer sonhar, mas também por transmitir valores e tradições que afetam o pensar e agir dos homens. Débora Almeida é a ‘griot’ desse espetáculo sobre cidadãs negras sob o signo de Iansã, vai ao mitológico africano para emergir em histórias dos cotidianos de luta dessas que carregam na cor e no sexo a exclusão e a força para arrebentar-se dos estereótipos.

A contadora de mulheres já começa confrontando seus ouvintes-espectadores. “Como é meu cabelo?” “Como é meu nariz?” “Como são meus lábios?” Evoca o fenótipo inescapável que tanto parece condenar a um destino no mundo. Seja na honesta reflexão pura sobre o alisar dos cabelos afros ou na arregimentação para uma invasão negra pelo poder e dinheiro ao bairro de classe média alta, a mulher negra surge em sete raios inspirados em depoimentos de figuras reais. Entre as histórias perpassam o abandono, a batalha, os anseios e também a felicidade.

Em cena, a ‘griot’ Débora Almeida nos encanta em suas falas. Com domínio e segurança, transita do humor à firmeza, passando por certa metateatralidade em seu discurso, tudo acompanhado por um corpo vívido e voz plena. Como crianças que pedem mais uma história e outra antes de dormir, ao final de “Sete Ventos” ficamos com o desejo de ouvir mais do que Débora Almeida tem a contar.

*Retirado do site Melanina Acentuada: http://www.melaninaacentuada.com.br/#!a-contadora-de-mulheres/upo3b

Mercedes Batista de volta ao Orum

 

Morre hoje Mercedes Batista, a primeira bailarina negra a dançar no Theatro Municipal. Referência na dança afro brasileira, para todos os artistas negros, foi mais do que uma bailarina, foi uma militante na arte pela cutlura e pela identidade do negro brasileiro, uma pioneira, que merece todas as nossas homenagens e gratidão.

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Segue um pouco de sua trajetória. (Fonte: Revista Afro/2011)

Ícone da dança no Brasil, qualquer bailarina que se preze conhece a história heróica e precursora de Mercedes Baptista, a primeira bailarina clássica negra brasileira, primeira mulher negra a passar no exigente concurso e fazer parte do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Mercedes Baptista nasceu em 1921, no município de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, em uma família humilde que vivia do trabalho de sua mãe, a costureira Maria Ignácia da Silva. Ainda jovem, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, exercendo diversas atividades profissionais.

Trabalhou em uma gráfica, em fábrica de chapéus e como não podia fugir a regra de grande parte das meninas negras de seu tempo, foi empregada doméstica. Trabalhou, também, em bilheteria de cinema; quando podia, assistia aos filmes; neste período acalentava o sonho dos palcos. Mobilizada por realizar seu sonho, começou a dedicar-se a dança.

Na década de 1960, Mercedes uniu sua formação erudita com a valorização da cultura negra, lançando o balé afro. Desbravadora, artista, foi além e junto com os carnavalescos Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, introduziu a dança clássica no desfile da escola de samba Salgueiro, do Rio de Janeiro, em 1963.As primeiras lições de ballet clássico vieram em 1945. Três anos depois, ela decidiu participar do concurso para o ingresso no Corpo de Baile do Theatro Municipal. Ao longo de sua carreira, sentiu na pele a discriminação que a afastava dos palcos. Sua formação na companhia e escola de dança Katherine Dunham certamente definiu os rumos do trabalho que desenvolveu no Brasil e que a coloca como a principal precursora da dança afro-brasileira.

Mercedes Baptista foi a coreógrafa da Comissão de Frente, que dançou o minueto, num cenário composto com a igreja da Candelária ao fundo. O Salgueiro ganhou o Carnaval, com um desfile que se tornou referência, influenciando e mudando o rumo dos desfiles das escolas de samba.

O trabalho de Mercedes Baptista foi fundamental para dar uma guinada na dança afro-brasileira. Sua entrada para o Corpo de Baile do Municipal foi cercada de mistério e preconceito, em 1948.

Segundo Mercedes, a seleção consistia em cinco etapas. No dia da última prova para mulheres, ela não foi avisada. Chorou e depois ficou sabendo que iria disputar com os homens. Como tinha facilidade para saltar, a prova não foi difícil e ela conseguiu entrar.

Em 2007, a bailarina foi homenageada pela escola de samba carioca Acadêmicos do Cubango sob o enredo “Mercedes Baptista: de passo a passo, um passo”. Sua história de luta e superação também foi tema do livro “Mercedes Baptista – A criação da identidade negra na dança”, do escritor Paulo Melgaço.

“Uma das maiores qualidades do trabalho da Mercedes foi o projeto social que ela realizou. Se não fosse pela Mercedes, muitos negros que hoje brilham nos palcos, seriam cozinheiros ou empregadas domésticos”, disse o autor na época do lançamento.

Seu legado é a valorização das culturas africanas e a introdução de elementos da dança afro a dança moderna brasileira, mas o maior deles é sem dúvida, seu exemplo de dignidade e superação.

Abaixo a sequencia do vídeo “Com os pés no chão”.

 

 

 

Zózimo Bulbul

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Morreu hoje um dos maiores artistas e ativistas negros do Brasil. retornou para as estrelas nosso querido Zózimo Bulbul. Ator, cineasta, criador do Cineafrocarioca de Cinema, referencia de cinema negro no Rio de Janeiro, idealizador do Encontro de Cinema Brasil, África e Caribe, grande articulador entre o Brasil e a África.

Tive a oportunidade de conhecê-lo, conversar e trabalhar com esse homem e todos os nossos encontros foram maravilhos. Aprendi muito com Zózimo e agradeço a vida por tê-lo conhecido.

Um grande exemplo de atuação na arte e no movimento negro brasileiro.

Obrigada Zózimo.

Um pouco sobre a carreira de Zózimo.

Zózimo Bulbul
Cineasta com muitas idéias na cabeça e uma câmera na mão

Ele é um dos ícones negro dos anos 60 por suas interpretações na tevê e no cinema. Na telinha, foi o primeiro protagonista negro de uma novela brasileira, fazendo par romântico com Leila Diniz em Vidas em Conflito. Além disso, foi também o primeiro manequim negro masculino de uma grife de alta costura. Além de todo o pioneirismo que envolve seu nome, Zózimo foi um dos principais atores dos filmes produzidos no movimento do Cinema Novo. Como ator, iniciou a carreira em produções teatrais do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, passando por participações importantes em clássicos do Cinema Novo de diretores como Glauber Rocha , Cacá Diegues e Leon Hirzman. Um dos destaques na carreira cinematográfica foi em Compasso de Espera. Ele fazia par romântico com uma branca rica, interpretada pela atriz Renèe de Vielmond. O personagem era um poeta negro que convivia com problemas existenciais por causa do preconceito do qual era constante vítima. Além de ator, Zózimo já realizou trabalhos como diretor e roteirista. Seu mais famoso filme como diretor, Abolição, marcou o centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, descrevendo várias situações enfrentadas pelos afrodescedentes brasileiros até hoje.

‘ Ele foi pioneiro ao registrar no cinema a temática de seu povo
JOEL ZITO ‘

Aos 70 anos, Zózimo Bulbul é, infelizmente, mais conhecido no exterior do que dentro de seu país. Em dezembro passado, o cineasta lançou Obras Raras do Cinema Negro na Década de 70. As raridades são cinco obras com a a temática afrodescendente, abordada por diretores negros e não negros. Como ator, não se deixou levar pela vaidade, ao ser eleito, nos idos de 70, “o negro mais bonito no Brasil”. Preferiu se pautar pela coerência e pela valorização do negro na nossa sociedade. Rejeitou tanto o estereótipo da marginalidade, como o do escravo preguiçoso ou do negro bandido. Foi assim no cinema, na tevê e no teatro. Como realizador cinematográfico, não foi diferente. Já com a câmera nas mãos, começou com o emblemático e censurado Alma no Olho, seguido de Aniceto do Império e do longa Abolição. Retomou o olhar de diretor na virada do século fazendo Pequena África, Samba no Trem e República Tiradentes. Seu mais recente trabalho, o média-metragem Zona Carioca do Porto foca a importância da zona portuária na história do Rio de Janeiro, onde a cidade começou a surgir. Com a participação da Cia dos Comuns e recheado de entrevistas e projetos que estão revitalizando a área, o filme mostra a importância do negro na formação do povo carioca. A câmera sobe o Morro da Providência, focaliza imensas áreas onde o abandono é voz comum, visita os barracões das escolas de samba e evoca a ancestralidade e resistência do lugar. Com oito filmes lançados, Bulbul passa a ocupar a posição de cineasta negro que mais realizou. “Ele foi pioneiro ao registrar no cinema a temática de seu povo”, diz o cineasta Joel Zito.

(Fonte Revista Raça)

O cinema de Zózimo Bulbul

 “Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está
Senhores
Onde estão os meus tambores
Onde estão meus orixás”*
Um dos maiores expoentes da Cinematografia afro brasileira nas décadas de 60 e 70, Zózimo Bulbul fez da história do povo negro no Brasil o seu caminho através do cinema. Como ator de cinema, trabalhou em mais de 30 filmes, atuou em clássicos como Terra em transe, Compasso de Espera e Filhas do Vento. Em 1974 estreou como diretor com o curta em preto e branco “Alma no Olho”. Produtor e roteirista ele realizou até 2009, inúmeros curtas e um longa, todos com o foco na valorização da cultura negra no Brasil.

Zózimo Bulbul, ator e diretor de cinema têm sua carreira iniciada em meados dos anos 60. Sua formação é no CPC da UNE. Todos os seus filmes são importantes para a preservação e memória da cultura afro. São todos filmes que denunciam as diferenças, a solidão, a discriminação e a desigualdade que o povo negro ainda vive neste país, mas sempre com um olhar de luta e de desafio.
Centro Afro Carioca de Cinema

O Centro Afro Carioca de Cinema vem desenvolvendo há três anos um trabalho de referência para a Cinematografia Afro Brasileira. Um trabalho de conscientização, incentivo aos novos caminhos através do cinema e aumento da compreensão do mundo através da arte cinematográfica, contribuindo assim para a elevação da auto-estima.

Por dentro da história – O Início, por Zózimo Bulbul
Em resumo tudo começou quando o meu filme “Abolição” foi selecionado para um festival de cinema de diretores da diáspora Africana em Nova York no ano de 1995. Naquela ocasião eu tomei um susto por que a metade da platéia desse festival era de africanos. Nessa época eu não sabia muito bem o que era Burkina Faso nem tinha muito conhecimento sobre a África, e estes africanos que estavam no festival não sabiam que existiam no Brasil negros fazendo cinema, foi uma ótima oportunidade para trocar informações. Nos últimos dias do evento me fizeram o convite, para ir em 1997 participar do FESPACO – Festival Pan Africano de Cinema de Ouagadougou, em Burkina Faso. Eu me senti muito honrado, pois esse festival é o mais importante da África e um dos mais importantes do mundo. O Abolição tinha ganhado o festival de Brasília em 1988, também ganhou um prêmio em Cuba, e nesse festival em Cuba me chamaram para ir em Nova York.

Ganhei mais um prêmio em Nova York, mas aqui no Brasil nunca saiu uma nota de jornal sobre o filme e sobre os prêmios que eu ganhei. Voltei muito triste com essa coisa do filme ter ganhado vários prêmios em festivais e aqui no Brasil não ter acontecido nada, nem comigo e nem com o filme. Eu tinha pretensão de ser conhecido de mostrar o filme, eu queria botar a cara na rua, discutir não só a cinematografia negra brasileira, mas também a temática do filme, e ficou uma coisa muito do tipo “cala boca negão – isso não existe! – você está inventando essas coisas!” Isso começou a me dar uma frustração muito grande.Quando cheguei a Burkina Faso em 1997 foi uma surpresa muito grande, eu fui muito bem recebido, desde o aeroporto, até o hotel e durante o festival, fui respeitado, como preto brasileiro, cineasta, convidado do festival.
Foi aí que, em um espaço onde havia uma carpintaria, em plena Lapa, achei o lugar certo para criar o Centro Afro Carioca de Cinema. Uma das coisas mais gratificantes da minha vida, quando eu saía de casa e ia pra lá acompanhar as obras,com um imenso “tesão” eu ia todos os dias. Derrubávamos paredes, pintávamos, assim reformamos a casa toda. Biza e eu acompanhamos tudo, eu ainda não estava muito bem de saúde, não estava andando bem, mas o processo de criação do Centro Afro Carioca me deu motivação para eu me recuperar. Uma grande inspiração para a criação do Centro Afro Carioca de cinema, foi o nosso mestre Candeia e o Grêmio Recreativo Arte Negra Quilombo. O que essa escola de samba representava em nível de revolução e inovação em relação ao carnaval, e a questão do rompimento com o que estava estabelecido.
(Fonte tamboresfalantes.blogspot)