Ocupação Afroliterária no Centro Cultural Hélio Oiticica

Nesse sábado, 01 de outubro, Débora Almeida, juntamente com as escritoras, Lia Vieira, Elaine Marcelina, o poeta Ele Semog e o crítico Arnaldo Viana estarão participando da roda de conversa sobre “Escrita em Diferença” no Centro Cultural Hélio Oiticia. A roda de conversa faz parte da Ocupação Afroliterária, com várias outras atrações.

Vai ter lançamento do livro Sete Ventos também1

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“Ocupação Afroliterária”. Programação:

Dia 01 de outubro de 2016 das 11h às 18h.

14h- No auditório, Roda de Conversa “Escrita em diferença”, com as escritoras Lia Vieira, Debora Almeida e Elaine Marcelina, o poeta Ele Semog Semog e o crítico Arnaldo Vianna.

11h às 18h- Na rua, além da exposição de livros o dia todo, vai ter o Miniteatro de Bonecos Origens, do artista plástico bonequeiro Roberto Silva.

À noite, black music e dança com amigxs. Vamos “ocupar” a festa de 20 Anos do Centro de Artes Helio Oiticica na Rua Luís de Camões, ao lado da Praça Tiradentes. 

Livro “A Escritora Afro- Brasileira”

Na última quinta- feira, 23 de junho, foi lançado o livro “A Escritora Afro- Brasileira-  Ativismo e Arte Literária”, organizado pela pesquisadora norte- americana Dawn Duke e lançado pela editora Nandyala.

O livro conta com textos de Conceição Evaristo, Esmeralda Ribeiro, Miriam Alves, Débora Almeida, Mel Adún e Cristiane Sobral.

Um trabalho iniciado em 2010 que, agora, em 2016 está sendo publicado.

Foi uma noite de muito orgulho e emoção na cena literária afro- brasileira.

O evento aconteceu no Terreiro Contemporâneo, sede da Cia de Dança Rubens Barbot e contou com as escritoras Lia Vieira, Elaine Marcelino  e Tatiana Pequeno na condução dos debates.

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Sentadas: Conceição Evaristo, Mel Adún, Esmeralda Ribeiro, Débora Almeida, Cristiane Sobral, Miriam Alves e Lia Vieira. De pé: Íris Amancio (Nandyala), Dawn Duke, Elaine Marcelino

Sete Ventos pelo Brasil e Mundo

Status: Estamos postando.

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Terminado o carnaval, hoje estamos fazendo o que fazemos desde o dia 24 de outubro de 2015, um dia após o lançamento do livro Sete Ventos: estamos postando. Pois é, o livro de Sete Ventos ganhou as estrada, os ares, já cruzou o Brasil, as Américas e o Atlântico. Hoje, além do Rio de Janeiro e outros estados brasileiros, o livro está sendo lido na Áustria, Argentina, Chile e Estados Unidos.

As sete mulheres, as sete qualidades de Iansã representadas pelas personagens Bárbara, Ayana, Samara, Tiana, Fabiana, Ana e Iracema ganharam o mundo. Sete Ventos tirou passaporte e está empretecendo as rotas internacionais!

Já tem o livro? Entre em contato e envie suas impressões, depoimentos, resenha, que nós publicamos em nossa página. Ainda não tem? Entre em contato com a nossa produtora que ela passa as coordenadas. E-mail: deboradeoliveira2014@gmail.com ou contatodeboraalmeida@gmail.com

Tem também a página no facebook: https://www.facebook.com/sete.ventos.5/

 

Quem disse que livro não voa?

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Lançamento do livro Sete Ventos. As sete mulheres inspiradas em Iansã viraram livro

No dia 23 de outubro de 2015, além de apresentar o espetáculo SETE VENTOS no Melanina Acentuada, também lançamos, pela editora Autografia, o livro SETE VENTOS.

A história de Bárbara e as sete personagens inspiradas em Iansã virou um lindo livro que traz o texto do espetáculo, fotos, trechos de depoimentos de mulheres entrevistadas, prefácio de Cristiane Sobral e poesia de abertura de Nina Silva.

Foi uma noite linda que contou com a presença de muitas pessoas ilustres e queridas.

Interessados em adquirir o livro, entrem em contato com a produtora: deboradeoliveira2014@gmail.com

        Seguindo a legenda em círculo: (1)Exempares do livro, (2)Débora Almeida em noite de autógrafos, (3)com Vanda Ferreira, da SPM, (4)com Elisa Larkin, do Ipeafro e                  (5)com Bárbara Santos do centro de Teatro do Oprimido.

2015

O ano começou em janeiro e com tudo. O tempo foi pouco para poder divulgar e registrar, mas agora conto um pouco sobre o que aconteceu até aqui:

MARÇO
Apresentamos SETE VENTOS no SESC Duque de Caxias. Foi incrível. Uma plateia de estudantes de escola pública misturada com o público comum. Houve debate e muita troca. Os adolescentes se colocaram, se sentindo representados. foi uma tarde linda. Por fim, ainda estávamos no outdoor da avenida principal ao lado dos nossos amigos do Teatro de Anônimo. Tarde linda em Caxias!

Sete Ventos em outdoor ao lado de In Conserto dos amigos do Teatro de Anônimo

Sete Ventos em outdoor ao lado de In Conserto dos amigos do Teatro de Anônimo

II Simpósio de Literatura Negra Ibero- Americana e Colóquio Afro Contemporâneo de Artes Cênicas

Ainda em março participei do simpósio em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná e do Colóquio Afro Contemporâneo de Artes Cênicas, da Universidade Estadual de São Paulo- UNESP. Em ambos falei sobre o processo de escrita e concepção de Sete Ventos.

ABRIL

Continuando a estrada com SETE VENTOS, participamos da Mostra Gênero em Cena, do evento Curta O Gênero, em Fortaleza, Ceará. Foi incrível e emocionante. Empretecemos o Dragão do Mar.

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MAIO

Mais uma universidade abriu suas portas para ouvir sobre o processo de SETE VENTOS. Dessa vez, estive na Faculdade de Letras da UFMG- Universidade Federal de Minas Gerais, participando do Colóquio Mulheres em Letras.

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Palestra sobre o processo de Sete Ventos

Palestra sobre o processo de Sete Ventos

 

Bandelê- A História do Menino Com a Serpente Nos Olhos

Esse foi o primeiro texto que eu publiquei em um livro. Chama-se Bandelê e está no Cadernos Negros 32, do Quilombhoje.

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BANDELÊ

Dizem que Bandelê tem uma serpente nos olhos e nem quando ele dorme ela adormece.
Essa serpente é como um vigia: observa sempre o que falam, percebe sempre os sutis movimentos dos outros e desvenda até os pensamentos mais íntimos e obscuros de um ser humano.
Bandelê é um menino negro.

Dizem que essa é a característica do povo dessa cor, mas ele não sabe responder, só sabe dizer que desde que nasceu desconfia de tudo e que não sabe dormir sem deixar acordada a serpente. Seus olhos se fecham, mas nunca dormem.
A serpente de Bandelê vê a verdade nos homens, nas mulheres, nas entradas e nas saídas, e em cada situação pela qual passa, mas fica calada, guardando seu veneno.
Houve um tempo em que essa serpente mostrava sua longa e fina língua para todos os que passavam, mas hoje ela só aparece para quem realmente acha necessário.
O bicho não dá um descanso a Bandelê, e até quando ele não olha, ela escuta, e tortura o menino com os mais hediondos sonhos, os mais belos pesadelos, com as mais loucas alucinações.
Há muita verdade nos olhos que habitam essa serpente e muito veneno também. Quando seus olhos se irritam com o veneno da cobra, o menino não chora, senta e compõe músicas que fazem acalmar a serpente, e ela dança, dança loucamente nos olhos de Bandelê até
se acalmar.
E nesses dias em que canta, acalmando a serpente, ele consegue dormir e sonhar com flores e sóis, luas e risos. E quando ouve as risadas vindas dos sonhos do músico, a serpente acorda de seu transe, de um só sobressalto, levanta atacando o primeiro que passa, só para
lembrar que, ainda, tem muito veneno em si.

Texto de Débora Almeida

Cadernos Negros 32- Antologia de Contos/ Quilombhoje/ São Paulo/ 2009

W.S. 14 anos

Aquele menino

com sua baixa estatura e seus quase quatorze anos

bem que poderia ser meu filho.

Com a cabeça baixa

tocando tudo com seus olhos

nem que poderia ser meu filho.

Fez careta pra mulher,

levou sua bolsa,

bateu na cara,

não pediu desculpas e assumiu tudo com vaidade.

Bem que poderia ser meu filho.

Entrou calado na viatura,

não precisou de algemas,

contou mentiras e verdades sem se importar muito com as coisas,

bem que poderia ser meu filho.

Eu até te bateria de cinto,

uma semana de castigo,

daria o peito durante doze meses e amor pela vida inteira,

mas ele não é meu filho.

Débora Almeida

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