Débora Almeida em entrevista ao CULTNE NA TV

No dia 16 de julho foi exibido o programa CULTNE NA TV com Débora Almeida sendo entrevistada por Ricardo Brasil. No programa, que também está disponível on line, Débora falou sobre o seu trabalho em teatro, o processo do espetáculo Sete Ventos e mulheres negras.

Segue o link com a entrevista completa:

 

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8º Encontro de Cinema Negro- Brasil, África e Caribe

Com um Odeon lotado, deu-se início na noite do dia 27 de maio a cerimônia de abertura do 8º Encontro de Cinema Negro- Brasil, África e Caribe. Idealizado pelo saudoso ator e diretor de cinema Zózimo Bulbul e realizado pelo Afro- carioca de cinema. Foi uma noite linda. Um palco lotado de cineastas negros da África e diáspora. foi emocionante, vi nosso Zozó multiplicado pelo número de olhos brilhantes naquela sala de cinema. Mais uma vez fui a apresentadora. Transbordo de felicidade em fazer parte dessa história.

Odeon lotado

Odeon lotado

No palco com os cineastas e os realizadores Biza Viana e Joelzito Araujo

No palco com os cineastas e os realizadores Biza Viana e Joelzito Araújo

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Apresentando de frente para um Odeon lotado.

Pronta para apresentar. detalhe para os colares e brincos do Varal da Val- Coleção Babalakina.

Pronta para apresentar. detalhe para os colares e brincos do Varal da Val- Coleção Babalakina.

Mercedes Batista de volta ao Orum

 

Morre hoje Mercedes Batista, a primeira bailarina negra a dançar no Theatro Municipal. Referência na dança afro brasileira, para todos os artistas negros, foi mais do que uma bailarina, foi uma militante na arte pela cutlura e pela identidade do negro brasileiro, uma pioneira, que merece todas as nossas homenagens e gratidão.

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Segue um pouco de sua trajetória. (Fonte: Revista Afro/2011)

Ícone da dança no Brasil, qualquer bailarina que se preze conhece a história heróica e precursora de Mercedes Baptista, a primeira bailarina clássica negra brasileira, primeira mulher negra a passar no exigente concurso e fazer parte do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Mercedes Baptista nasceu em 1921, no município de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, em uma família humilde que vivia do trabalho de sua mãe, a costureira Maria Ignácia da Silva. Ainda jovem, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, exercendo diversas atividades profissionais.

Trabalhou em uma gráfica, em fábrica de chapéus e como não podia fugir a regra de grande parte das meninas negras de seu tempo, foi empregada doméstica. Trabalhou, também, em bilheteria de cinema; quando podia, assistia aos filmes; neste período acalentava o sonho dos palcos. Mobilizada por realizar seu sonho, começou a dedicar-se a dança.

Na década de 1960, Mercedes uniu sua formação erudita com a valorização da cultura negra, lançando o balé afro. Desbravadora, artista, foi além e junto com os carnavalescos Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona, introduziu a dança clássica no desfile da escola de samba Salgueiro, do Rio de Janeiro, em 1963.As primeiras lições de ballet clássico vieram em 1945. Três anos depois, ela decidiu participar do concurso para o ingresso no Corpo de Baile do Theatro Municipal. Ao longo de sua carreira, sentiu na pele a discriminação que a afastava dos palcos. Sua formação na companhia e escola de dança Katherine Dunham certamente definiu os rumos do trabalho que desenvolveu no Brasil e que a coloca como a principal precursora da dança afro-brasileira.

Mercedes Baptista foi a coreógrafa da Comissão de Frente, que dançou o minueto, num cenário composto com a igreja da Candelária ao fundo. O Salgueiro ganhou o Carnaval, com um desfile que se tornou referência, influenciando e mudando o rumo dos desfiles das escolas de samba.

O trabalho de Mercedes Baptista foi fundamental para dar uma guinada na dança afro-brasileira. Sua entrada para o Corpo de Baile do Municipal foi cercada de mistério e preconceito, em 1948.

Segundo Mercedes, a seleção consistia em cinco etapas. No dia da última prova para mulheres, ela não foi avisada. Chorou e depois ficou sabendo que iria disputar com os homens. Como tinha facilidade para saltar, a prova não foi difícil e ela conseguiu entrar.

Em 2007, a bailarina foi homenageada pela escola de samba carioca Acadêmicos do Cubango sob o enredo “Mercedes Baptista: de passo a passo, um passo”. Sua história de luta e superação também foi tema do livro “Mercedes Baptista – A criação da identidade negra na dança”, do escritor Paulo Melgaço.

“Uma das maiores qualidades do trabalho da Mercedes foi o projeto social que ela realizou. Se não fosse pela Mercedes, muitos negros que hoje brilham nos palcos, seriam cozinheiros ou empregadas domésticos”, disse o autor na época do lançamento.

Seu legado é a valorização das culturas africanas e a introdução de elementos da dança afro a dança moderna brasileira, mas o maior deles é sem dúvida, seu exemplo de dignidade e superação.

Abaixo a sequencia do vídeo “Com os pés no chão”.

 

 

 

Manifesto de Hilton Cobra contra as políticas públicas culturais.

Manifesto de Hilton Cobra contra as políticas públicas culturais.

Mais uma vez ficamos de fora, mais um edital nos dizendo não. Só que dessa vez com um agravante: abriram a porta para a cultura negra, só que produzida por pessoas brancas com bem menos tempo de experiência, sem um mínimo de histórico de luta pela causa da cultura e da arte negra. A luta envidada pela comunidade negra, que por décadas pleiteia subsídios para a realização de seus trabalhos foi vencida por produtores brancos, de bem menos tempo de experiência, que descobriu em nossa história, nossa cultura e nossa arte, um filão de dinheiro. Mais uma vez, o negro entrando pela porta de trás, comendo os restos do porco, enquanto o senhor branco fica com o churrasco completo. Só que dessa vez, não vai haver feijoada, pois estamos cansados. Vamos lutar, exigir, gritar. Chega de utilizar a nossa história como pretexto, chega de usurpação. Queremos o que é nosso por direito: dignidade para realizarmos o nosso trabalho e contarmos a nossa história através de nós mesmos.

Kwanza

Depois de anos me sentindo uma sem lugar, estranhando o clima dessa época de ano, com Papai Noel de bochechas rosadas, bota e casaco (eu moro em um país em que no mês de dezembro a gente anda quase sem nada por causa do calor),esperando só pela rabanada e ficando até chateada  tendo que viver aquilo com o que não me identifico, finamente encontrei a celebração com que me sinto acolhida. Por indicação de uma amigo meu, o Alexandre Assumpção, conheci o Kwanza, a celebração de final de ano afro-americana. Vasculhei na internet e encontrei essa explicação no blog da UNEGRO, que eu amei. Já sem me alongar, desejo a todos:

FELIZ KWANZA

 

E’ interessante observar as varias manifestacoes culturais criadas pelos Afro-Americanos para se manterem tao proximos quanto possivel das suas origens ancestrais. Na verdade, em varias areas da sua vida, eles criaram mesmo uma especie de ‘micro-cultura’ de inspiracao Africana, embora nem sempre com uma clara ou directa correspondencia nas praticas culturais observaveis no continente – o que se devera’, por um lado, aos sincretismos culturais e religiosos de varia ordem e diferentes origens que os conformam e, por outro lado, as varias (per)mutacoes e con(sub)jugacoes culturais verificadas em Africa ao longo dos seculos.
E’ o caso do Kwanzaa (tambem escrito Kwaanza) que se celebra por esta altura do ano, durante sete dias – de 26 de Dezembro a 1 de Janeiro – coincidindo com o periodo do Natal Cristao (e tambem do Judaico Hanukkah) e Ano Novo. A sua criacao poderia ter sido inspirada no nosso rio Kwanza (Angola), mas reza a historia que nao o foi exactamente. Kwaanza deriva da expressao Kiswahili “matunda ya kwanza”, que significa “primeiros frutos”, ou “comeco” – apelando assim ao acto da criacao, tal como acontece no Natal Cristao. Porem, sendo o Kiswahili uma lingua Bantu, e’ provavel que o nosso Kwanza tenha nela o mesmo significado… mas deixo isso aos especialistas.

A criacao do Kwanzaa, em meados da decada de sessenta do seculo passado, ficou a dever-se ao activista social Afro-Americano Ron Karenga, que explicou o seu objectivo como sendo “proporcionar aos Negros (Blacks, para ser fiel ao original e ao contexto …) uma alternativa as festividades existentes e dar-lhes uma oportunidade de se celebrarem a si proprios e a sua historia, em vez de simplesmente imitarem a pratica da sociedade dominante.”

Durante os sete dias do Kwanzaa praticam-se varios rituais, envolvendo libacoes, acender de velas, banquetes e oferta de presentes. Poder-se-ia entao dizer que nesse aspecto nao difere muito do Natal Cristao ou do Hanukkah. Mas e’ o significado, em Kiswahili, de cada um dos sete dias do Kwanzaa que estabelece a diferenciacao:

• Umoja (Unidade) Obter e manter a unidade na familia, comunidade, nacao e raca.
• Kujichagulia (Auto-Determinacao) Definir-nos a nos proprios, nomear-nos a nos proprios, criar por nos proprios e falar por nos proprios.
• Ujima (Trabalho e Responsabilidade Colectiva) Construir e manter a comunidade coesa e fazer nossos os problemas dos nossos irmaos e irmas e resolve-los em conjunto.
• Ujamaa (Economia Cooperativa) Construir e manter as nossas proprias propriedades, lojas e negocios e partilhar em conjunto dos seus lucros.
• Nia (Proposito) Fazer nossa vocacao colectiva a construcao e o desenvolvimento da nossa comunidade com o objectivo de restaurar a grandeza tradicional do nosso povo.
• Kuumba (Criatividade) Fazer sempre tudo o que pudermos, como pudermos, por forma a deixarmos a nossa comunidade mais bela e benefica do que como a herdamos.
koluki.blogspot.com/2008/12/kwanzaa-o-natal-africano.html

Fonte: http://unegroriodejaneiro.blogspot.com/2011/12/o-natal-africano.html

Griotagem

Ontem estive no Griotagem, na UERJ. Um encontro de pretas e pretos em torno da poesia e da cultura afrodescendente. Simplesmente lindo. Lindo encontrar todas aquelas pessoas, irmãs e irmãos de cor, de história e resistência. Cada palavra dita, cantada, todas ainda pulsando dentro de mim. Tudo isso em uma atmosfera acolhedora, sem ser piegas (porque isso não faz parte da gente), porém forte e cheia de emoção.

Apresentação do Balle Afro Koteban, de São Paulo

Só o convite já é lindo:

“O ABRAÇO DA COMUNIDADE A comunidade é o espírito, a luz-guia da tribo; é onde as pessoas se reúnem para realizar um objetivo específico, para ajudar os outros a realizarem seu propósito e para cuidar umas das outras. O objetivo da comunidade é assegurar que cada membro seja ouvido e consiga contribuir com os dons que …trouxe ao mundo, da forma apropriada. Sem essa doação, a comunidade morre. E s…em a comunidade, o indivíduo fica sem um espaço para contribuir. A comunidade é uma base na qual as pessoas vão compartilhar seus dons e recebem as dádivas dos outros. Quando você não tem uma comunidade, não é ouvido; não tem um lugar em que possa ir e sentir que realmente pertence a ele; não tem pessoas para afirmar quem você é e ajudá-lo a expressar seus dons. Essa carência enfraquece a psique, tornando a pessoa vulnerável ao consumismo e a todas as coisas que o acompanham. Além disso, a falta de comunidade deixa muitas pessoas com maravilhosas contribuições a fazer sem ter onde desaguar seus dons, sem saber onde pô-los. Quando não descarregamos nossos dons, vivenciamos um bloqueio interior que nos afeta espiritual, mental e fisicamente, de muitas formas diferentes. Ficamos sem ter um lugar para ir, quando temos necessidade de ser vistos… ” Sobonfu Somé
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Fiquei muito feliz em ter ido, que bom que Tempo deixou.
Meu ano termina bem e estou pronta para o novo ciclo.