Livro “A Escritora Afro- Brasileira”

Na última quinta- feira, 23 de junho, foi lançado o livro “A Escritora Afro- Brasileira-  Ativismo e Arte Literária”, organizado pela pesquisadora norte- americana Dawn Duke e lançado pela editora Nandyala.

O livro conta com textos de Conceição Evaristo, Esmeralda Ribeiro, Miriam Alves, Débora Almeida, Mel Adún e Cristiane Sobral.

Um trabalho iniciado em 2010 que, agora, em 2016 está sendo publicado.

Foi uma noite de muito orgulho e emoção na cena literária afro- brasileira.

O evento aconteceu no Terreiro Contemporâneo, sede da Cia de Dança Rubens Barbot e contou com as escritoras Lia Vieira, Elaine Marcelino  e Tatiana Pequeno na condução dos debates.

a escritora afro brasileira livro

as escritoras

Sentadas: Conceição Evaristo, Mel Adún, Esmeralda Ribeiro, Débora Almeida, Cristiane Sobral, Miriam Alves e Lia Vieira. De pé: Íris Amancio (Nandyala), Dawn Duke, Elaine Marcelino

2015

O ano começou em janeiro e com tudo. O tempo foi pouco para poder divulgar e registrar, mas agora conto um pouco sobre o que aconteceu até aqui:

MARÇO
Apresentamos SETE VENTOS no SESC Duque de Caxias. Foi incrível. Uma plateia de estudantes de escola pública misturada com o público comum. Houve debate e muita troca. Os adolescentes se colocaram, se sentindo representados. foi uma tarde linda. Por fim, ainda estávamos no outdoor da avenida principal ao lado dos nossos amigos do Teatro de Anônimo. Tarde linda em Caxias!

Sete Ventos em outdoor ao lado de In Conserto dos amigos do Teatro de Anônimo

Sete Ventos em outdoor ao lado de In Conserto dos amigos do Teatro de Anônimo

II Simpósio de Literatura Negra Ibero- Americana e Colóquio Afro Contemporâneo de Artes Cênicas

Ainda em março participei do simpósio em Curitiba, na Universidade Federal do Paraná e do Colóquio Afro Contemporâneo de Artes Cênicas, da Universidade Estadual de São Paulo- UNESP. Em ambos falei sobre o processo de escrita e concepção de Sete Ventos.

ABRIL

Continuando a estrada com SETE VENTOS, participamos da Mostra Gênero em Cena, do evento Curta O Gênero, em Fortaleza, Ceará. Foi incrível e emocionante. Empretecemos o Dragão do Mar.

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MAIO

Mais uma universidade abriu suas portas para ouvir sobre o processo de SETE VENTOS. Dessa vez, estive na Faculdade de Letras da UFMG- Universidade Federal de Minas Gerais, participando do Colóquio Mulheres em Letras.

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Palestra sobre o processo de Sete Ventos

Palestra sobre o processo de Sete Ventos

 

Bandelê- A História do Menino Com a Serpente Nos Olhos

Esse foi o primeiro texto que eu publiquei em um livro. Chama-se Bandelê e está no Cadernos Negros 32, do Quilombhoje.

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BANDELÊ

Dizem que Bandelê tem uma serpente nos olhos e nem quando ele dorme ela adormece.
Essa serpente é como um vigia: observa sempre o que falam, percebe sempre os sutis movimentos dos outros e desvenda até os pensamentos mais íntimos e obscuros de um ser humano.
Bandelê é um menino negro.

Dizem que essa é a característica do povo dessa cor, mas ele não sabe responder, só sabe dizer que desde que nasceu desconfia de tudo e que não sabe dormir sem deixar acordada a serpente. Seus olhos se fecham, mas nunca dormem.
A serpente de Bandelê vê a verdade nos homens, nas mulheres, nas entradas e nas saídas, e em cada situação pela qual passa, mas fica calada, guardando seu veneno.
Houve um tempo em que essa serpente mostrava sua longa e fina língua para todos os que passavam, mas hoje ela só aparece para quem realmente acha necessário.
O bicho não dá um descanso a Bandelê, e até quando ele não olha, ela escuta, e tortura o menino com os mais hediondos sonhos, os mais belos pesadelos, com as mais loucas alucinações.
Há muita verdade nos olhos que habitam essa serpente e muito veneno também. Quando seus olhos se irritam com o veneno da cobra, o menino não chora, senta e compõe músicas que fazem acalmar a serpente, e ela dança, dança loucamente nos olhos de Bandelê até
se acalmar.
E nesses dias em que canta, acalmando a serpente, ele consegue dormir e sonhar com flores e sóis, luas e risos. E quando ouve as risadas vindas dos sonhos do músico, a serpente acorda de seu transe, de um só sobressalto, levanta atacando o primeiro que passa, só para
lembrar que, ainda, tem muito veneno em si.

Texto de Débora Almeida

Cadernos Negros 32- Antologia de Contos/ Quilombhoje/ São Paulo/ 2009

Não Vou Mais Lavar os Pratos

Amanhã tem o lançamento do livro “Não vou mais lavar os pratos”, da minha querida amiga, a escritora e atriz, Cristiane Sobral.
É um livro de negras poesias femininas para homens e mulheres de todas as cores.
Na Livraria Kitabu, na Lapa
Dia 28 de outubro às 18:30
Apareçam, comprem e devorem o livro. Eu já devorei e já estou na sobremesa. 🙂

Lançamento do Livro Iansã de Helena Theodoro

Foi lançado na Livraria da Travessa, nessa segunda-feira, dia 16 de março o livro Iansã, de Helena Theodoro.  O livro faz parte da Coleção Orixás, da Editora Pallas, que propõe revelar lendas, a origem mitológica, as cores, os símbolos, os assentamentos, os traços psicológicos dos seus filhos de santo.

Helena Theodoro é doutora em Filosofia pela UGF, autora dos livros “Os Ibejis e o Carnaval”, “Mito e Espeiritualidade”.

Iansã, orixá feminina que representa os ventos. Ela é a tempestade, a mulher que traz o movimento e que equilibra o poder feminino com o masculino junto a Xangô. Iansã, caçadora, guerreira, mulher. Iansã pela fala de Helena Theodoro: “os mais velhos contam que as pessoas que são partículas da energia de Iansã são muito vivas, irriquietas, tendo o prazer de exercer uma profissão, apesar de serem ótimas administradoras de um lar. São também pessoas generosas que se preocupam mais em serem mais doadoras do que receptoras. São também guerreiras e perfccionistas.”

Sinopse: “Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a natureza através do vento. O vento nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá sopra a brisa, que, com sua doçura, espalha a criação, fazendo voar as sementes, que irão germinar na terra e fazer brotar uma nova vida. Além disso, esse vento manso também é responsável pelo processo de evaporação de todas as águas da terra, atuando junto aos rios e mares. Esse fenômeno é vital para a renovação dos recursos naturais, que, ao provocar as chuvas, estarão fertilizando a terra.

Em Iansã, rainha dos ventos e tempestades, a pesquisadora Helena Theodoro relaciona o poder dessa orixá com a luta e as conquistas das mulheres negras no Brasil. Neste mais recente volume da Coleção Orixás, encontramos as referências à presença de Iansã em nosso dia a dia, como um símbolo social da independência de todo um povo.”

Fui lá e tive a oportunidade de conhecer de perto essa importante mulher. Inteligente, bem humorada, simpática e necessária ao mundo. Convidei para a próxima temporada de SETE VENTOS (porque eu não sou boba) e saí com o meu exemplar autografado.

Como amo, adoro e respeito Iansã, posso ficar horas e páginas a falar sobre o seu mito. Deixo aqui minha homenagem às mulheres negras, às mulheres brasileiras, às nossas ancestrais que estão dentro de todas nós.

Lançamento de Cadernos Negros 32- Contos Afro -Brasileiros

 Nessa quinta-feira, dia 17 de dezembro de 2009 foi lançado em São Paulo, no auditório da UNINOVE- Campus Vergueiro, o volume 32 de Cadernos Negros, organizado pelo Quilombhoje. A edição desse ano contou com 19 contos e 18 autores.Autores

Ademiro Alves- São Paulo/SP

Cristiane Sobral- Brasília/DF

Cuti- São Paulo/SP

Débora Almeida- Rio de Janeiro/RJ

Dirce Pereira do Prado- Limeira/SP

Elizandra Souza- São Paulo/SP

Fátima Trinchão- Salvador/BA

Fausto Antônio- Campinas/SP

Jonathas Conceição- salvador/BA (in memoriam)

José Luanga- São Paulo/SP

Mel Adún- Salvador/BA

Michel Yakini- São Paulo/SP

Paulo Gonçalves- Recife/PE

Sergio Ballouk- São Paulo/SP

Sidney de Paula Oliveira- São paulo/SP

Valdomiro Martins- Porto ALegre/RS

Exibição dos autores e seus contos

Débora Almeida e Esmeralda Ribeiro (coordenadora do Quilombhoje)

Débora Almeida e Esmeralda Ribeiro(coordenadora do Quilombhoje)

Os autores José Luanga, Cristiane Sobral, Débora Almeida, Cuti e Elizandra Souza. Entre Cristiane e Débora, o ator Marco Xavier